Monday, 29 March 2010

Footy!!!

Sábado fomos assistir a um jogo da AFL, futebol australiano. Sydney Swans vs St Kilda, de Melbourne. O estádio todo vestido de vermelho e branco, cores dos Swans e Guguru querendo comprar uma camisa para literalmente vestir as cores do time local. Tatiala ainda não tinha decidido para quem torcer, mas tinha uma quedinha pelo time de Melbourne... Vamos ser realistas: desde quando Tatiala torceria para o mesmo time de Guguru? Além disso, vendo as cores de St Kilda na foto abaixo, podemos facilmente entender o porquê da escolha de Tatiala...

St Kilda team :-)

E começa o jogo. Atrás de nós, estava um grupo de 6 mulheres, todas com mais de 45 anos. Depois um homem se juntou a elas. Mas nem ouvíamos a voz dele. Uma das mulheres, narrou o jogo INTEIRO. Era inacreditável. Ela sabia o nome de TODOS os jogadores e dizia o nome de cada um cada vez que eles pegavam na bola. Detalhe: o campo é oval, com 165 metros de comprimento por 135 de largura, ou seja, não dá para enxergar todo mundo, principalmente quando estão jogando do lado oposto ao que você está sentado... São 4 tempos de 20 minutos cada, mas como há muitas paradas, há acréscimo e um tempo pode chegar a 32 minutos.

Tatiala, corajosamente, era a única torcendo por St Kilda num raio de 30 metros. Mas como estamos num país de primeiro mundo, Tatiala se sentiu à vontade para comemorar e assobiar a cada gol de St Kilda. 

Sydney Swans é um time mais fraco, que lutou bravamente no jogo. Guguru não poderia ter escolhido melhor time para torcer... Sofredor... :-P

Com o jogo se aproximando do final, o nível alcoólico das pessoas era maior, e a senhorinha-narradora começou a xingar todos, principalmente aquele que nunca escapa, seja qual for o esporte: o juiz. E olha que era um prato cheio, já que nos jogos da AFL existem 7 juízes!!!

St Kilda não estava nos melhores dias, mas era superior e ganhou o jogo com uma vantagem de 8 pontos, o que é bem pouco neste esporte. Caso se interesse, caro leitor, pode encontrar mais informações sobre AFL no Wikipedia:
 http://en.wikipedia.org/wiki/Australian_Football_League

Tatiala saiu feliz, mas quietinha, já que estava na casa do "adversário". Guguru foi embora repensando em sua escolha. Tatiala sempre diz que nunca é tarde para trocar de time! E o grupo de mulheres deve ter voltado para casa, onde seus maridos provavelmente as esperavam com o jantar pronto e a casa arrumada! ;-)

ANZ Stadium, local do jogo

Guguru torcendo para os Swans

Dá para notar que Tatiala não está torcendo para o mesmo time?

Torcedor fanático: binóculos e fone para ouvir o jogo pelo rádio!

Cheers!

Sunday, 28 March 2010

Harmony Day

Para quem gostou do post "Austrália Multicultural", aqui vai o encerramento da saga. Tatiala decidiu participar de um coral que iria se apresentar no Harmony Day, apresentação que celebra as diversas culturas presentes no país. "É só cantar uma música, não tem como ser tão ruim...", pensou Tatiala antes de ir para o primeiro ensaio. Tadinha, tão inocente... Para ter quórum uma turma inteira de chineses participou. Eram uns 20, com idade média de 55 anos. Só um detalhe: a professora deles era chinesa e 99% do tempo ela falava em chinês. Interessante, pois iríamos cantar uma música em inglês. Tatiala se dava conta de que podia sim ser bem ruim...

Foram cinco ensaios, mas como Tatiala estava certa que queria participar, não desistiu. Os ensaios eram bem atrapalhados, mas até que todos estavam cantando "bem", na medida do possível.
Chegou o grande dia. Tatiala se dirigiu para o Sydney Town Hall, um bonito teatro localizado no centro de Sydney. Muitas pessoas iriam se apresentar. Iranianos, russos, grupos de dança chineses, grupos aborígenes, entre outros. Iria ter um pequeno ensaio antes da apresentação, mas como até a organização do evento era uma desorganização, só subimos no palco e descemos, sem poder cantar uma última vez. Neste momento, Tatiala visualizou um mico passeando por ali...

Cinco minutos antes de entrarmos no palco, pediram silêncio para nosso grupo enquanto a apresentação anterior finalizava. Não sei como, mas os velhinhos chineses não paravam de falar, e eles não sabem falar baixo! De dez em dez segundos alguém falava para eles ficarem quietos, sem sucesso.

Nesta hora, Tatiala já visualizava uns cinco micos passeando pelo teatro...

Subimos no palco. O cara do violão começa a tocar. E ninguém canta!!! Meu Deus, o que aconteceu? Todos mudos, só uns seis cantando... A plateia não estava entendendo nada... Do palco, Tatiala via agora toda a população de micos, alguns em seus ombros, outros pulando pelo palco, outros pela plateia...

Depois de eternos segundos, as pessoas decidiram cantar, mas cada um em um tom diferente. Parecia que aquele grupo tinha sido selecionado aleatoriamente, na rua mesmo, um minuto antes da apresentação! Mais uma vez: SURREAL.

Valeu a pena ter ido por ter conhecido o teatro e assistido algumas apresentações bem legais, bem ensaiadas. E os micos seguiram Tatiala pelo resto daquela longa tarde de segunda-feira...


Sydney Town Hall


Dança do Ventre (professora russa!)

Acrobata

Cheers!

Friday, 19 March 2010

Austrália Multicultural

Tatiala terminou esta semana o curso oferecido pelo governo para facilitar a inserção dos novos imigrantes no mercado de trabalho. O curso foi bem interessante, Tatiala pode conhecer um pouco mais tanto da cultura aussie quanto de outros países. Você, fiel leitor, deve estar se perguntando "Como ela conheceu a cultura de outros países se o curso era para apresentar a cultura e o mercado australianos?" Pois então, não se esqueça que o curso era para novos imigrantes! E quem eram os novos coleguinhas de sala de Tatiala? Iraquiano, iranianos, russos, bangladeshis, indiano, guatemalteco, mexicano, árabe de Dubai e claro, chineses. Ah, e a professora era da Malásia, descendente de português com indiano. Divertido, né? Agora imagine entender tantos sotaques diferentes! Bom, não preciso dizer que Tatiala fazia um esforço sobre-humano para entender o indiano e um dos chineses... Além disso, ela desistiu de entender um dos nativos de Bangladesh. Sinceramente, aquilo que eles falavam podia ser qualquer coisa, menos inglês.

Toda aula tinha uma surpresa. Por exemplo, a professora deu dicas de como se vestir para ir a uma entrevista: "Homens, nunca usem meias brancas". E um iraniano pergunta: "Mas por que?". Mais uma: um dos russos, que era a "estrela" da sala, dizia que era um absurdo as pessoas sairem de casa de chinelos. Na cultura russa, você deve estar muito bem vestido antes de colocar o nariz para fora de casa, mesmo se for só para ir ao supermercado. Aqui na Austrália, não é raro encontrar gente descalça pelas ruas ou mesmo de pijamas!


Na última aula, ela pediu para que todos levassem um prato, para fazermos uma "festinha". Só que ela resolveu avisar um dia antes, quando alguns já tinham ido embora. Tatiala foi uma das desavisadas... Chegou o grande dia. Tatiala com seu sanduíche na mala ouve a professora dizer: "Ponham as comidas na mesa!" Que bacana... E agora? Bom, isso não foi problema. Só o mexicano tinha levado três pacotes de Doritos e batatinhas e a professora levou um de Doritos. O árabe levou um prato de macarrão parafuso com molho vermelho e almôndegas, preparado pela esposa. Detalhe: não tinha prato nem talher para comer, pois, segundo ele, a professora pediu para levar comida, não prato... E o quarteto de Bangladesh (eram 2 casais) levou marmita com noodles, tipo miojo sem o caldo... Dá para visualizar a cena? Surreal. Tatiala comeu macarrão parafuso com as mãos!

Eu poderia passar o dia contando mais aventuras, mas a conclusão de toda esta saga é: os brasileiros (posso incluir também os demais latino-americanos) são mais flexíveis que os outros e conseguem se adaptar em qualquer ambiente. Como sou feliz de ser brasileira!

Cheers!

Monday, 1 March 2010

Habemus Carrus Permitus

G'Day mates!

Nota do autor: G'Day é o mesmo que oi, bom dia, boa tarde, olá, boa noite (quando chegamos). É usado em qualquer momento do dia, em qualquer ocasião, é coloquial e típico dos Aussies (pronuncia-se Ozis).

Voltando a escrever neste vosso blog, Guguru que aqui se encontra, vai contar-lhes a aventura de tirar a carteira de motorista, a tão desejada full licence. Sim! Agora posso dirigir sozinho e apavorar, digo, andar civilizadamente na Terra Australis

Tudo começou dia 9 de janeiro quando fizemos o teste teórico no computador da RTA (Road and Traffic Authority, o DETRAN local) de NSW (New South Wales, o estado onde estamos) e passamos, obtendo a Learner Driver's licence, ou a carteira de motorista de aprendiz. Com essa carteira, nós podemos dirigir ao lado de um full licence, fazer aulas de direção e não podemos passar de 80 km/h, além de ter BAC (blood alcohol concentration, nível de álcool no sangue) zero. 

Pois bem, de posse deste primeiro documento, fomos ver aulas de direção e pedimos uma indicação para o Rogerinho. Ele passou uma autoescola que ele utilizou os serviços e com um instrutor que era bem rigoroso e detalhista, ou fussy na linguagem nativa. Tive três aulas com o Albert, vulgo Ma Lui Suen, um chinês até que simpático que mora aqui há muito tempo, mas é para lá de Dubai de fussy, quase um autoterrorista. Todo e qualquer detalhe era notado, inclusive os centímetros que o carro estava parado do carro da frente. Senti-me praticamente aos 18 anos, no primeiro exame de carta. Ah, o exame...

Aqui na Austrália, as leis de trânsito e, mais ainda, as regras de como o motorista deve se comportar, são muito bem definidas e praticamente todos respeitam isso a todo momento, então o trânsito nem se compara, mesmo nos picos, com o estresse de Sampa City. Tive que aprender como me portar como um australiano no trânsito, já que eu sabia como era ser um paulistano, tudo isso em 3 aulas, já que cada uma custava A$ 70   e dinheiro não dá em árvore por aqui, só lorikeets and cacatuas, estes dois aos  montes. Com mais umas treinadas na direção de carros de amigos (Roger and Marco, thank you so much, mates!), senti-me pronto para enfrentar o tão famoso teste.

Na última sexta-feira, 26 de fevereiro do corrente, às 3:50 da tarde, fui enfrentar o meu destino. Ah, antes o Albert passou aqui em casa, já que eu ía usar o carro da autoescola no teste (sim, você tem que levar o seu próprio carro para o teste, seja emprestado, alugado, comprado) e ele iria me acompanhando até o Rockdale Plaza, o nosso pequeno shopping local, e onde está o escritório da RTA mais próximo. Pois é, mais meia hora de autoterrorismo! Eu achei que ía ser apenas algo para relaxar e esquentar para o verdadeiro teste, mas foi mais um baque psicológico. Toda a minha sabedoria oriental foi posta à prova nestes momentos.

Chegamos lá, o Albert cuidou de toda a papelada, assinei o que tinha que assinar e ele entregou no guichê para os testes de direção. Um australiano, um pouco mais baixo que eu, com cara já de quero-ir-embora-para-casa-pois-já-é-sexta-feira, com o corte de cabelo bem similar ao meu, pegou a papelada, viu, jogou meu passaporte longe (segundo o Albert, para mim foi normal), pediu para esperar um pouco e, depois de uns dois minutos chamou para ir até o carro e iniciar o teste. Inspira, expira, inspira, expira. Uma vez controlada a ansiedade, entrei no carro, verificamos as luzes de freio, indicadores, etc e partimos.

Logo na primeira saída, fiz meu primeiro e único erro da prova, dei um sinal que não deveria ter dado. Bem, tudo bem, antes de mais do que menos :-P . Lá estava o examinador, de óculos escuros, e eu, indo para a direita, para a esquerda, vire aqui, vire ali, vai em frente. Bem, algumas coisas são diferentes: a baliza é feita com apenas um carro à frente e um quarteirão atrás; o estacionar sem ninguém, simplesmente chegar perto da guia também é feito sem nenhum carro por perto. Não é  à toa que o pessoal aqui é meio ruim de baliza. Ah, e você deve olhar para trás o tempo todo e não pode usar os espelhos retrovisores para estacionar. Pelo menos no teste, porque na prática todo mundo faz isso. Vai entender!

Então, passados uns 10 minutos de teste, o examinador começa a conversar comigo, perguntando em qual lado da rua a gente dirigia no Brasil e que ele cutivava bromélias!!!! Por um momento eu pensei que ou eu já tinha sido reprovado no teste ou ele viu que na minha carteira do Brasil que a data da primeira licença era de 1986 (!!!!) e simplesmente resolveu cumprir tabela e me aprovar. Nos 20 minutos seguintes conversamos sobre várias coisas, incluindo esportes, criação de peixes, descobri que abacaxi é uma bromélia, que ele tinha dois filhos grandes e era separado, que tinha uma namorada chinesa, etc, etc. etc. Um passeio até que bem agradável e descontraído. Voltamos para o RTA, ele me pediu para esperar no carro uns minutos (tensão aumentando de novo), voltou, subimos para o escritório da RTA e, tchã, tchã, tchã, tchããããããããã, passei no teste, com louvor. Acho que as informações preciosas que dei sobre a cultura brasileira foram fundamentais para o sucesso desta empreitada :-) .

Finalizei a papelada, paguei as taxas (muito bem pagas, por sinal) e ganhei minha full licence. Na volta ainda tive mais surpresa. Quem voltou dirigindo foi o Albert, pois o próprio manual do teste diz para você não voltar dirigindo para casa, pois pode estar ou muito animado ou muito chateado com o resultado do seu próprio teste. E não é que ele é meio braço na direção??? Faça o que eu falo, não faça o que eu faço. Bem, mas agradeço imensamente a ele por colocar os padrões tão mais acima dos padrões do teste, e espero que os peixinhos e as bromélias do examinador vivam muito e prosperem.

 :-D :-D :-D

Cheers!

Tatiala & Guguru